Ilustre Maranhense
Aluísio Tancredo Gonçalves
de Azevedo nasceu em São Luís, Maranhão, em 14 de abril de 1857, filho de Davi
Gonçalves de Azevedo e de Emília Branco. Em 1870 matricula-se no Liceu
Maranhense e estuda também pintura. Viajou aos 17 anos para o Rio de Janeiro a
chamado do irmão, o teatrólogo Artur Azevedo. Iniciando seus estudos na
Academia Imperial de Belas Artes. Logo passou a colaborar, com caricaturas de
“O Fígaro” e poesias, em jornais e revistas. Com a morte de seu pai resolve
voltar para São Luís em 1878. Estréia no teatro com a peça “Os doidos” em
colaboração com Artur Azevedo. A partir da publicação de seu primeiro romance,
“Uma lágrima de Mulher” em 1880, viveu durante 15 anos do que ganhava como
escritor. Funda A Pacotilha e lança “O Pensador’ também em 1880. Encerrando sua
carreira literária ao ingressar por concurso na carreira diplomática em 1895, a
serviço do Brasil, Itália, Paraguai e Argentina.
Crítico impiedoso da
sociedade brasileira e de suas instituições, o romancista Aluísio Azevedo
abandonou as tendências românticas em que se formara para tornar-se,
influenciado por Eça de Queirós e Èmile Zola, o criador do naturalismo no
Brasil. Preocupado com a realidade cotidiana, seus temas prediletos foram o
anticlericalismo, a luta contra o preconceito de cor, o adultério, os vícios, o
povo humilde.
Em 1881 saiu “O Mulato”,
publicado no auge da campanha abolicionista e provocou enorme escândalo. O
autor tentava analisar a posição do mestiço na sociedade maranhense de seu
tempo e atacou o preconceito racial. Foi este o inicio de sua fase de produções
até 1895 escreveu ao todo 19 trabalhos, entre romances e peças teatrais.
Continuou colaborando em jornais e revistas, com caricaturas, contos, críticas
e novelas. Ele próprio tentou lançar em São Luís um periódico anticlerical
intitulado “O Mulato”. A reação hostil da sociedade provinciana e do clero fez
com que voltasse definitivamente para o Rio de Janeiro.
Além de “O Mulato”, os
romances que o consagraram perante a crítica e o público foram “Casa de Pensão
em 1884 e “O Cortiço” em 1890, considerado sua obra prima. No primeiro,
inspirado num caso da crônica policial do Rio, em que descreve a vida das
pensões chamadas familiares, onde se hospedavam jovens que vinham do interior
para estudar na capital. Em “O Cortiço” narra, em linguagem vigorosa, a vida
miserável dos moradores de duas habitações coletivas.
Entre seus demais romances
estão:
A
Condessa Vésper 1902, publicado inicialmente em rodapé da Gazetinha, sob o
título Memórias de um Condenado em 1882;
Girândola de Amores em 1900, publicado
inicialmente em folhetim na Folha Nova em 1882;
O Homem em 1887;
O
Coruja 1895, publicado inicialmente em rodapé de O País em 1889;
O
Esqueleto (Mistério da Casa de Bragança) em 1890, publicado só o pseudônimo de
Victor Leal;
A Mortalha
de Alzira em 1893;
O Livro de
uma Sogra em 1895, além dos contos “Os Demônios” em 1890.
Membro fundador da Academia
Brasileira de Letras (cadeira de nº 4), Aluísio Azevedo morreu em 21 de janeiro
de 1913 (de miocardite), em Buenos Aires, Argentina, onde ocupava o posto de
vice-cônsul do Brasil.
Postado por: Maria Magalhães
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